Policiais baianos estão entre os que mais matam no Brasil

FOTO: REPRODUÇÃO

A pesquisa, conduzida pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), divulgada nesta terça-feira (5) pelo Atlas da Violência 2018, coloca a Bahia na terceira posição no ranking, com 457 pessoas mortes por intervenções policiais, atrás apenas do Rio de Janeiro, com 925 casos ao longo de 2016, e de São Paulo, com 856. Os números usados foram fornecidos pelas secretarias de segurança pública dos estados, embora, no restante do Atlas, sejam utilziados números Datasus, do Ministério da Saúde.

É que, neste caso, não há informações da saúde sobre todos os estados. Se mesmo assim, forem considerados os números da saúde, a Bahia aparece em segundo lugar no ranking, com 364 mortos decorrentes de intervenção policial, atrás somente do Rio de Janeiro, com 538. No caso de São Paulo, os dados da saúde computam somente 254 mortes nestas circunstâncias.

A incongruência nos dados é destacada no próprio estudo. Segundo o instituto, isso acontece porque os dados do Datasus são fornecidos por peritos e médicos legistas e que esses profissionais nem sempre têm todas as informações necessárias quando fazem o registro das mortes para indicar a autoria do homicídio. Por isso, em muitos casos, os crimes são classificados como morte por agressão.

O estado com a diferença mais gritante na contagem dos números é o Pará, onde o Datasus registrou três casos e a polícia 282.No ranking da saúde, a Bahia aparece na segunda posição, mas sete estados não informaram os dados de 2016. Em todo o Brasil, o Datasus registrou 1.374 mortes por intervenções policiais, enquanto as polícias contabilizam 4.222, uma diferença de 67,5%.

O Atlas da Violência 2018 foi construído com base nos dados de 2016 e aponta, entre outras coisas, que em dez anos a taxa de homicídios na Bahia quase dobrou: cresceu 97,8%. O estudo indica que, de 2006 para 2016, o Brasil sofreu aumento de 23,3% no número de homicídios de jovens (pessoas com idades entre 15 e 29 anos), sendo que no último ano analisado pela pesquisa 33.590 jovens foram assassinados, 94,6% deles eram homens.

 

 

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